Livro de Manuel Caetano de Oliveira devolve à memória o tempo de outro Douro

Foi apresentado publicamente, no passado sábado, no bar do Cais de Escamarão, em Souselo, Cinfães, o livro de Manuel Caetano de Oliveira “Esse rio que era Douro”. A obra reúne um conjunto de artigos escritos pelo autor publicados em jornais locais e regionais ao longo de vários anos. “Esse rio que era Douro” retrata as gentes, os usos e costumes, a sociedade, a economia, as vivências, as histórias das pessoas da freguesia de Souselo, no tempo em que pelo Douro passava uma boa parte da vida das gentes do baixo concelho de Cinfães. O Douro que, ao tempo, era a principal via para o transporte dos produtos de e para a cidade do Porto.

Uma edição póstuma, patrocinada pela Câmara de Cinfães, da obra de uma das personalidades mais marcantes da cultura cinfanense. Amigos, familiares, admiradores, autarcas, foram muitos os que se quiseram associar à cerimónia e que encheram o espaço da esplanada junto ao Douro.

Simão Cardoso, responsável pela organização e transcrição dos textos, foi quem fez a apresentação do livro que considerou “um tesouro para a freguesia, para o concelho de Cinfães e para toda a região do Douro Sul”, frisou. Disse também esperar que os professores, particularmente os de português, queiram tirar do livro “muitos textos que sirvam o ensino da língua portuguesa”, sublinhou. Simão Cardoso falou da escrita do autor, “simples e, ao mesmo tempo, erudita”, e lançou o desafio para que, no futuro, os textos que não foi possível incluir no primeiro livro, “possam ser dados à luz” num segundo volume.

O presidente da Câmara de Cinfães, que conviveu “quase diariamente” com o escritor, revelou que o livro o transportava para a “história e para a memória”. Armando Mourisco referiu que “Esse rio que era Douro” o faz reviver “os tempos de infância, nas ruas da Galheira, em que o senhor Oliveira tinha sempre um rebuçado ou um chocolate para oferecer às crianças”, recordou. O autarca deu voz ao que chamou de “grande gratidão” para com o escritor, “pelo testemunho, pela memória que deixa um homem que vivia intensamente a vida e as histórias das pessoas”, sublinhou.

José Mourisco, presidente da junta de Souselo, classificou a edição da obra de Manuel Caetano de Oliveira como um momento “marcante na história da freguesia, pela homenagem que se faz ao autor e porque dá a conhecer uma parte da vida das gentes locais”.

Manuel Caetano de Oliveira, nasceu em Souselo a 28 de novembro de 1916 e entre outras ações sociais e politicas, desempenhou vários cargos autárquicos e foi fundador da Casa do Povo de Souselo. Faleceu aos 93 anos.

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