A Comunidade Intermunicipal (CIM) do Tâmega e Sousa apresentou no passado dia 30 no MACC BAIÃO- Mosteiro de Ancede Centro Cultural, os resultados da investigação para combater a vespa velutina, a cargo da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), cujo trabalho de recolha de dados em campo decorreu nos concelhos da região do Douro, Tâmega e Sousa.
O responsável pela apresentação dos resultados foi José Aranha, professor da UTAD e também responsável pela investigação, que nasceu através de uma parceria criada, em 2011, entre as duas entidades, e cujo objetivo seria contribuir para o controlo da vespa velutina no território do Douro, Tâmega e Sousa.
Como tal, foram criados mecanismos de controlo e inativação dos ninhos da vespa velutina, permitindo assim ser mais simples e eficaz, tanto “para os serviços de proteção civil das autarcas da região com suas devidas competências como também para os apicultores, que são diretamente afetados pela destruição das suas abelhas” refere a CIM do Tâmega e Sousa.
Após dois anos, a investigação permitiu concluir que a prevenção é mais eficiente que o combate desta espécie invasora. Durante este período de tempo, tendo em conta o ciclo biológico da vespa, realizaram-se ações no terreno de capacitação dos apicultores de forma a permitir contruir e instalar métodos de destruição dos ninhos, como por exemplo, armadilhas primárias, colocadas junto dos apiários de forma a capturar futuras vespas fundadoras e obreiras de primeira geração, mas também harpas elétricas, utilizadas quando a espécie começa a caçar.
Os resultados permitem concluir que no que toca à instalação de armadilhas primárias, os ataques foram menos intensos no verão, enquanto que na utilização de harpas elétricas observou-se uma diminuição quer no número de ataques, quer na intensidade.
A investigação, paralelamente, procurou aumentar os métodos de destruição alternativos para a proteção civil municipal, através de dispositivos de injeção mais rápidos e sem dependência temporal, permitindo assim às equipas atuar em mais locais e inativar mais ninhos em menor tempo, melhorando a atuação dos municípios.
Um dos problemas encontrados anteriormente foi o facto de os ninhos localizados em espaços rurais e/ou florestas de difícil acesso, não poderem ser inativados ou destruídos. Devido a isso foi estudado um processo de inativação de ninhos que pudessem ser usados em situações de acesso condicionado, como as que foram referidas anteriormente, o que culminou com o desenvolvimento de um composto biológico especifico-biocida- para o combate à vespa velutina e respetivo ajustamento num dispositivo de injeção para o controlo da espécie nos seus ninhos.
Consequentemente a CIM do Tâmega e Sousa, adquiriu, para os 11 municípios que a integram equipamento de inativação de ninhos de vespa velutina com o biocida desenvolvido pela UTAD.
Foi possível ainda conferir a necessidade de tanto as ações de prevenção como as de inativação dos ninhos ocorrerem ao longo do ano todo, em função do ciclo biológico da espécie, e destas serem executadas por profissionais credenciados para tal, e consequentemente será importante equacionar a criação de um curso de formação profissional para os agentes utilizadores dos dispositivos que permitem a inativação dos ninhos.
A região do Douro, Tâmega e Sousa é uma das mais afetadas a nível nacional por esta espécie invasora, com a parceira atual a dar continuidade a trabalhos já desenvolvidos no âmbito de outro projetos, tais como o GesVespa, que decorreu entre 2016 e 2019, liderado pelo INIAV, em parceria com a CIM do Tâmega e Sousa e a UTAD, entre outros e também o GOVespa – Grupo Operacional “controlo e minimização de prejuízos da espécie invasora Vespa velutina nigrithorax (vespa velutina) na produção apícola”, gerido pela Dolmen- Desenvolvimento Local e Regional, entre 2018 e 2021 e também com a parceria da UTAD.
Com base nos resultados no seminário GO Vespa decorrido em 2021, foram criadas uma carta de densidade de ninhos por quilómetro quadrado e também uma carta de suscetibilidade de expansão da vespa velutina para o Douro, Tâmega e Sousa, nas quais se pode comprovar que a região se encontra de facto, muito afetada por esta espécie. Estas cartas mostravam que, a vespa iria continuar a sua expansão caso se se mantivesse o modelo de registo e de destruição de ninhos.




