Após reunião do Conselho de Ministros, a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, mostrou-se preocupada com a situação atual do país relativamente à COVID-19, afirmando que a incidência se encontra nos 90,5 casos por 100 mil habitantes e o Rt (grau de transmissibilidade de infeção) para Portugal continental está nos 1,13 na conferência de imprensa após o final da reunião.
“Estamos hoje claramente numa situação já bastante longe da zona verde e, portanto, o país está numa situação mais preocupante do que estava há uma semana, como um todo, com as desigualdades territoriais que conhecem”, afirmou a ministra.
A ministra Mariana Vieira da Silva admitiu que Portugal possa ter que travar uma nova fase de desconfinamento, prevista para a próxima semana.
“Semanalmente, fazemos aqui a avaliação do ponto de situação a nível nacional e ela hoje afasta-se claramente da zona verde [da matriz de risco], o que significa que para a semana, quando estava prevista uma nova fase de desconfinamento, ela muito dificilmente com estes números — e se continuarem estes números — se poderá verificar”, afirmou.
- Concelhos que recuperaram: Alcanena, Paredes de Coura, Santarém e Vale de Cambra;
- Concelhos em situação de alerta: Alcochete, Águeda, Almada, Amadora, Barreiro, Grândola, Lagos, Loures, Mafra, Moita, Montijo, Odivelas, Oeiras, Palmela, Sardoal, Seixal, Setúbal, Sines, Sobral de Monte Agraço e Vila Franca de Xira;
- Concelhos que recuam: Sesimbra, Arruda dos Vinhos, Albufeira, Cascais, Loulé, Sertã e Sintra;
- Concelhos que travam no desconfinamento: Lisboa, Braga e Odemira
No que toca a Lisboa, foi decidida em Conselho de Ministros a proibição de circulação de e para a Área Metropolitana ao fim de semana. A medida foi tomada para “controlar o aumento de incidência que se tem verificado”, segundo a governante e entra em vigor esta sexta-feira, a partir das 15h00, e até às 06h00 de segunda-feira.
“Essas restrições dizem respeito à Área Metropolitana como um todo e não à circulação entre concelhos e têm como principal propósito que a elevada incidência que se faz sentir nesta região não se transporte para fora dela”, reforçou a ministra.
A ministra referiu que esta é uma medida que “não é fácil nem desejada por ninguém, mas que é necessária” para conter o agravamento da incidência da doença na região de Lisboa e Vale do Tejo, sobretudo com a prevalência da variante “Delta” (também conhecida como variante Indiana) do coronavírus, tal como também se começa a verificar no Alentejo.
Mariana Vieira da Silva afirma ainda que o objetivo da medida não é de diminuir os casos em Lisboa, mas sim, impedir que estes casos alastrem para o resto do país.
Haverá exceções para entrar e sair da Área Metropolitana, nomeadamente no que diz respeito ao exercício de funções laborais, deslocações por motivos de saúde ou viagens internacionais.
A Ministra do Estado e da Presidência declara que “é cedo para dizer o tempo que se prevê que possa durar, até porque nas próximas semanas teremos muita informação sobre a prevalência da variante e também em função dessa informação e da sua dispersão no território poderemos voltar a olhar para a medida que aqui tomamos”.
“Neste momento, com a informação que temos, a incidência parece ser muito mais significativa na Área Metropolitana de Lisboa do que é no resto do país e para não estarmos depois a arrepender-nos de não termos tomado as decisões em tempo, tomamos esta decisão agora, sempre disponíveis para reavaliar em função dos dados que nos forem chegando, como uma tentativa de procurar garantir que o país não acompanha o ritmo de crescimento que a AML está a ter”, apontou.




