Proteção Civil reforça combate a incêndios com mais tecnologia e meios aéreos

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil apresentou esta quinta-feira, 14 de maio, as principais linhas da estratégia nacional de combate aos incêndios rurais para 2026, apostando no reforço tecnológico, na antecipação operacional e no aumento da capacidade de resposta no ataque inicial aos fogos.

Em declarações à agência Lusa, o comandante nacional de emergência e proteção civil, Mário Silvestre, explicou que o novo dispositivo incorpora as aprendizagens retiradas das épocas de incêndios de 2024 e 2025, procurando melhorar a capacidade de análise e de intervenção rápida em todas as sub-regiões do país.

Uma das grandes novidades do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) para este ano é o alargamento do uso de retardante químico. Depois de, em 2025, esta substância estar disponível apenas num Centro de Meios Aéreos, em 2026 passa a existir em cinco centros operacionais, permitindo uma resposta mais eficaz nos primeiros minutos de combate às chamas.

Segundo Mário Silvestre, os incêndios atuais apresentam “uma maior velocidade de propagação”, tornando essencial o reforço dos meios de supressão inicial para aumentar a taxa de sucesso no combate.

A estratégia inclui ainda a criação de equipas especializadas de reconhecimento e avaliação em cada sub-região, responsáveis por fornecer informações em tempo real aos comandantes das operações. A medida assume especial relevância nas regiões Norte e Centro, onde a complexidade do relevo e a elevada densidade florestal dificultam o combate aos incêndios.

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil alertou também para o risco acrescido em zonas historicamente afetadas pelos grandes incêndios, como Pedrógão Grande. O comandante nacional lembrou que o ciclo natural de regeneração da vegetação, entre oito a dez anos, aumenta significativamente a carga de combustível disponível.

Além do Pinhal Interior, as regiões do Algarve e do Norte surgem entre as áreas mais críticas para este verão. Existe igualmente preocupação com a região de Leiria, devido às árvores derrubadas pela depressão Kristin, estando em curso operações de desobstrução de caminhos florestais.

No final, Mário Silvestre deixou um apelo à população para reforçar as medidas de autoproteção, sobretudo através da limpeza dos terrenos junto às habitações.

“O dispositivo de combate terá muito mais facilidade em desenvolver as suas ações de supressão se os aglomerados urbanos estiverem devidamente protegidos”, sublinhou o responsável.

Foto: ANEPC