O Município de Baião tem em curso um projeto de Prescrição Social, com o intuito de promover a integração de cuidados, “possibilitando a médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde prescrever caminhadas, grupos de prática de atividade física, grupos sociais, atividades de lazer e recreativas, momentos de contacto com a natureza, cultura e artes, entre outros, complementando a prescrição de fármacos e restantes terapias médicas que por norma realizam”, salienta a autarquia baionense. Em Baião, o processo encontra-se a decorrer com a coordenação do Centro de Saúde Pública do Baixo Tâmega e da Unidade de Saúde Familiar (USF) de Baião, apontando para a articulação de cuidados centrados na pessoa, no âmbito de uma parceria entre o setor da saúde (Unidade Local de Saúde Tâmega e Sousa) e o setor social (SAAS), sediado na Câmara Municipal de Baião. O Centro de Saúde de Saúde de Baião foi palco, nos dias 18 e 26 de março, de ações de formação, dirigidas às profissionais dos Serviços de Atendimento e Acompanhamento Social (SAAS) e assistentes sociais da Unidade de Saúde. A melhoria do bem-estar e da saúde mental da população com 55 anos ou mais, inscrita no Centro de Saúde de Baião e com fatores de risco socioeconómicos para (ou com) doença mental comum, seja ela depressão ou ansiedade, são os objetivos desta medidas, pelo que os profissionais podem assim, utilizar novas ferramentas de trabalho, “para dar resposta a necessidades de saúde não clínicas com maior facilidade – sejam necessidades sociais, emocionais, ou práticas, como a solidão, o isolamento social ou eventuais vulnerabilidades económicas ou habitacionais.Os seus benefícios podem incluir a redução dos problemas de saúde mental, o aumento dos níveis de bem-estar, da atividade física, da literacia em saúde, a capacitação para a autogestão da doença, a redução do número de consultas com médicos de família, da prescrição de medicamentos e do número de episódios de urgência”. Organizada desde 2023 em Portugal, a rede integra investigadores, profissionais multidisciplinares, utilizadores de serviços, gestores e decisores políticos, contando com o apoio institucional da Direção Executiva do SNS, do Instituto da Segurança Social e da Direcção-Geral da Saúde. A sua implementação no território surge no quadro de um acordo com a Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) da Universidade Nova de Lisboa, estando atualmente mais de dez projetos em curso nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo, no Alentejo, no Algarve e no Norte. Em entrevista ao jornal Público publicada no dia 9 de abril, a diretora da ENSP, Sónia Dias, explicou que o projeto, implementado há cerca de 20 anos no Reino Unido, de onde foi “importado”, tem apresentado evidentes “mais-valias, desde logo um aumento do bem-estar e da qualidade de vida e a melhoria do estado de saúde, com um impacto muito significativo na área da saúde mental. Em Portugal, os dados ainda preliminares, indicam que parece ter benefícios. A nível individual, começamos a ter indicadores de redução do isolamento social, da ansiedade e de alguns sintomas depressivos. Algumas pessoas reportaram também sentir menos dor e um maior sentido de pertença à comunidade, graças ao contacto social.Começamos também a ter indicadores que apontam para uma utilização mais adequada dos cuidados de saúde e para a redução de consumo de alguns medicamentos. Por outro lado, há um impacto ao nível das instituições e do funcionamento em rede. A prescrição social permite uma maior integração das respostas nos diferentes sectores que podem contribuir para a saúde”, referiu.